terça-feira, 27 de agosto de 2013

Banho na praça

Senta que lá vem história!!! E essa é das quentes.
Era verão em Campinas e a temperatura estava batendo recorde.  A sensação era de como se estivéssemos no inferno. Pediram para eu produzir uma foto para falar do tal calor acima da média na cidade. Nessa época, entre a rua Abolição e avenida da Saudade tinha uma praça, recém inaugurada, com fonte de água que ficava perto do jornal Correio Popular. Para ganhar tempo resolvi fazer a foto por ali mesmo e depois seguir para as outras pautas. Estávamos perto do Natal, as escolas estavam em férias portanto no local havia muitas crianças. Tinha um senhor que tomava conta do local, um tipo de guarda. Eu estava fazendo as fotos, mas parecia que faltava alguma coisa. Aí pensei o seguinte: "bem que essa molecada podia entrar na água, daria uma foto boa". A molecada estava correndo, suados e eu só esperando por algo que jamais viria, a não ser que eu interferisse. E resolvi interferir.  Tinha um grupo de crianças brincando, eu me aproximei e disse : "vocês não têm coragem de entrar na água?" Bastou um deles perguntar "mas pode tio"? respondi claro que sim, que estava muito calor, "mas tenho certeza que vocês não irão". Só me lembro de pedir a eles que viessem todos correndo e pulassem juntos na água. Foi uma festa de curta duração. Lembram do guarda da praça? Ele foi o primeiro a chegar e perguntar o que eu tinha feito. Segundo ele colocando a integridade física das crianças e até o emprego dele em jogo. Eu só disse a ele "olhe para as crianças elas estão felizes e não aconteceu nada com elas e nem vai acontecer nada com o senhor". A coisa começou a engrossar mesmo quando as mães vieram ver o que tinha acontecido. Uma mãe mais exaltada foi disparando aquele sermão de mãe: "mais é um irresponsável mesmo, onde já se viu e as roupas das crianças todas molhadas", outra mãe disse minha filha está resfriada. Fui saindo de fininho e com aquele sorriso amarelo de tanta bronca que tinha ouvido em tão pouco tempo. O motorista me esperava, entrei no carro e desaparecemos pela avenida. O resultado dessa aventura foi o seguinte: a foto foi para o alto da capa. Poucos dias depois a praça deixou de ter a fonte com água, ela já não tinha mais guarda, e as mães possivelmente já tinham me esquecido. Agora a alegria daquelas crianças pulando na água não tem preço. Prefiro pensar que desligaram a água por economia, que o guarda se aposentou, mas que as mães no fundo, no fundo curtiram ver a molecada se jogando de corpo e alma naquela fonte. E que as crianças, bem que as crianças continuem aceitando desafios. Essa é mais uma das muitas histórias que vivi.

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