quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Rodoviárias de Campinas: o último dia de funcionamento da velha e o primeiro dia da nova



um brinde a velha rodoviária


Taxistas se despedem da velha rodoviária




Sala de espera da velha rodoviária completamente vazio


últimos passageiros descem para a plataforma de embarque



Funcionário tranca pela última vez o guarda-volumes


última foto interna da antiga rodoviária



funcionário da Cometa e Caprioli retiram as placas




últimos passageiros 






portas são fechadas pela última vez



porta de entrada é trancada pela última vez


plataformas de embarques completamente desertas








último ônibus e os últimos passageiros deixam a antiga rodoviária com destino ao Rio de Janeiro




…assim que o ônibus saiu a rodoviária foi cercada



primeiro ônibus a chegar na nova rodoviária


os primeiros passageiros que desembarcaram na nova rodoviária







muitas pessoas vieram ver a implosão da antiga rodoviária


prefeito Dr Hélio aciona o botão para a implosão


…que levantou poeira, muita poeira




policiais da Guarda Municipal vistoriam o local da implosão





curiosos assistiram a implosão, muitos levaram pedras para casa como lembrança




técnicos da Defesa Civil fazem a vistoria do local da implosão






terreno da antiga rodoviária após implosão




Senta que lá vem história!
…e essa é uma verdadeira viagem que começou em uma rodoviária e terminou em outra, só que na mesma cidade. Isso mesmo duas rodoviárias em uma só cidade. Isso aconteceu em Campinas. Vamos aos fatos de fato. Após 35 anos de funcionamento, a antiga rodoviária de Campinas, localizada nas esquinas da Avenida Barão de Itapura com Avenida Andrade Neves, funcionou pela última vez, e tinha data e hora para o fechamento, em 22 de junho de 2008 a meia-noite. Nessa época eu trabalhava no Correio Popular, no último horário, entrava às 16h e o horário de saída nem Deus sabia. Nesse data fui pautado para fotografar o último dia de funcionamento da antiga rodoviária e o primeiro ônibus a chegar à nova rodoviária (Terminal Ramos de Azevedo). Fui para antiga mais cedo para ir sentindo o clima de despedida, ver como se comportavam os comerciantes que estavam saindo do local, funcionários das empresas de ônibus que já estavam retirando pertences das paredes e das gavetas. Conversar com alguns passageiros que só souberam que aquele seria o último dia quando foram abordados pela equipe de reportagem para falarem a respeito, que ficaram surpresos por estarem prestes a fazer parte da história da cidade. E antigos taxistas que até deram um "tchauzinho" para o prédio depois de aceitarem o meu pedido. Para uns jovens que passavam em frente, ao saberem do que estava para acontecer, fizeram um brinde (tudo isso vocês podem conferir pelas fotos). Aos poucos, os funcionários das empresas dos  ônibus já tinham partido, depois de tudo retirado, trancavam pela última vez a porta dos guiches. A sala de espera dos passageiros ia ficando deserta, a medida que o relógio se aproximava da meia-noite. Registrei um senhor com blusa e cachecol, que foi o último passageiro a deixar a sala, por volta das 23h30. Os comerciantes, a maioria sem saber como seria o dia de amanhã, iam baixando e trancando as portas de seus estabelecimentos depois de tantos anos. O responsável pelo guarda-volumes, trancou pela primeira e última vez seu local de trabalho. Muitas dessas pessoas se comoviam e algumas até choraram pela despedida. O último ônibus (Cometa) sairia exatamente à meia-noite e o destino dos 15 últimos passageiros seria a cidade do Rio de Janeiro. Esse ônibus atrasou pelo menos uns cinco minutos. Devo confessar que o atraso se deu por minha culpa. Eu pedi licença ao motorista para convencer os passageiros a descerem do veículo, para fazermos uma foto ao lado dele. Meu argumento foi que eles entrariam para a história da cidade. Como vocês podem ver, nesta foto o relógio marca 00h03. Registrei então os últimos passageiros, o motorista do último "buzão" a deixar a antiga rodoviária também os funcionários que colocam as malas nos bagageiros dos ônibus. Enquanto alguns homens começavam a furar o chão para fechar com tapumes o antigo prédio, ainda fiz algumas fotos das plataformas completamente vazias e desertas pareciam assustadoras, por aquele lugar já haviam chegado e partido milhares de pessoas, diariamente, para tantos destinos. Naquele momento pensei: acabou aqui uma história de 35 anos. Ainda deu tempo de voltar à sala de espera e fazer a foto dela completamente vazia e silenciosa. Neste momento o relógio já marcava 00h15. 
Mas eu não tinha mais tempo para ficar ali pensando, me lamentando ou dizendo já estava na hora de acabar. Aliás, o prédio deixava muito a desejar em todos os sentidos: era um lugar feio, desconfortável e inseguro,. Muitas mulheres não se sentiam seguras no local, principalmente à noite. Para os motoristas dos ônibus o trânsito não ajudava principalmente nos horários de pico. Partimos para a nova rodoviária pois ainda tinha que registrar o primeiro ônibus chegando e os primeiros passageiros desembarcando no novo endereço. A distância entre as duas rodoviárias é pequena, são apenas algumas quadras. 
A chegada do primeiro ônibus estava previsto para às 00h30, mas ele adiantou uns quinze minutos e nos fez correr para não perder a foto. Consegui, então, fotografar o primeirão ainda na plataforma e registrar a chegada dos primeiros passageiros na nova rodoviária de Campinas, já na madrugada de 23 de junho. 
Fiz fotos de uma rodoviária completamente vazia bem diferente dos dias de hoje. O prédio moderno mais parecia um aeroporto do que uma rodoviária. Acredito que registrei uma transição histórica na cidade e seguramente se eu não trabalhasse em jornal talvez jamais conseguisse ter esse registro. Mas a história ainda não acabou. Depois de dois anos, uma outra oportunidade envolvendo essas rodoviárias veio acontecer, o prédio antigo viria literalmente abaixo, no domingo,  28 de março de 2010. Eu fui um dos quatro fotógrafos que ficaram em pontos estratégicos para acompanhar a implosão. Minha missão era ficar ao lado do então prefeito na época Dr. Hélio e registrar o momento em ele acionaria a chave para a implosão. Cerca de 1.300 moradores tiveram que sair de suas casas e apartamentos, como medida de segurança, num raio de 200 metros. Defesa Civil, Guarda Municipal, SAMU, bombeiros e policiais participaram dessa verdadeira operação de guerra. O prédio estava todo envolto em tecidos para que pedaços de pedras não fossem arremessados longe na hora em que as bombas fossem detonadas. Alguns segundos após a implosão, a poeira ainda dominava toda área. Guardas Municipais desceram a avenida Andrade Neves para se certificarem que tudo estava tranquilo e os moradores do local puderam voltar as suas casas com segurança. Toda essa mobilização atraiu centenas de pessoas que foram acompanhar a implosão e se despedir da velha rodoviária. Muita gente até levou para casa alguns pedaços de pedras que ficaram espalhados pelo chão, para terem uma lembrança do velho prédio. Hoje, da velha rodoviária só restou história e poeira...

Nenhum comentário:

Postar um comentário