Histórias que vivi.
Certa vez fui fazer fotos para o jornal Correio Popular de um duplo assassinato na região do Bosque dos Jequitibás no qual morreram um travesti e um motorista de taxi que o transportava. No dia seguinte, o Marcelo Pereira, editor executivo, do jornal me chamou e disse o seguinte: Bassan volta lá no Bosque e faça umas fotos dos travestis. Mas não aquelas fotos de longe (fotos de longe que ele se referia eram aquelas que íamos de carro sem identificação do jornal), quando fazíamos fotos de travestis ou prostitutas debruçados nos carros com a placa digitalizada para não identificar o "cliente", Quero algumas fotos em detalhe beleza? - enfatizou o editor. Pensei: fodeu. É sempre muito difícil a relação de prostituta ou travesti com repórteres. Mas para quem me conhece sabe que a missão tem que ser cumprida. Desta vez usei uma estratégia diferente: fui até o transporte e pedi um veiculo do jornal adesivado e o motorista tinha que ser o Sorriso, negão gente fina e que sacava só com o olhar quando tinha que acelerar forte para sair de situações de risco. Quando chegamos no Bosque, perguntei para o Sorriso se ele queria ir junto. Mas o negão era ninja e me respondeu: "tô tranquilão, te espero aqui no carro Bassan. Desci do carro com meu colete de fotógrafo. Me aproximei dos travestis com o meu crachá no peito e câmera na mão. Era sempre muito tenso esse tipo de abordagem. Tentei explicar que a razão de eu estar ali era devido às mortes ocorridas na noite anterior, que a matéria que seria feita poderia até ajudá-los, que eu iria fotografar mas sem identificá-los, blá blá blá. "As respostas foram: vai se foder seu fdp". "Pensa que não sei como vocês são, vão escrever um monte de mentiras a nosso respeito". Normalmente, esse tipo de conversa para convecê-los é muito demorada, porque quando um topa vem outro e desencoraja o personagem. A noite naquela região não é brincadeira. Ninguém em sã consciência anda por ali. Para meu azar, sou um cara popular e muito conhecido, durante essa abordagem toda para conseguir a foto, muitos conhecidos passaram, buzinaram e eu só ouvia: "Aeeeeeeeeee Bassan". Pensava, já não está fácil e esses caras ainda me sacaneiam. Tinha até alguns que paravam o carro e perguntava o que eu estava fazendo ali. Imaginem a cena eu e o traveco numa rua escura e o cara me fazendo essa pergunta. Pra resumir a história: eu consegui a fotografia, na seguinte condição: "se a matéria foder a gente você morre, simples assim. A gente vai atrás de você até no inferno seu fdp". O que mais me incomodava era esse fdp no final das frases (risos). Essa foto que vocês estão vendo foi feita na Rua Boaventura do Amaral, próxima ao Largo São Benedito. Graças à Deus e aos meus amigos repórteres estou vivo até hoje (risos).
Só mais um detalhe: não sei se aqueles amigos que passaram pelo local na hora da foto vão se manifestar aqui, mas só posso dizer uma coisa, eu estava ali trabalhando, já eles...

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